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24 novembro, 2007

I KNOW WHO KILLED ME


Gênero: Terror porno-tortura

Ano:
2007

Com:
Lindsay Lohan, Julia Ormond, Neal McDonough, Brian Geraghty

Direção:
Chris Sivertson

Argumento:
Uma cidadezinha idílica é virada de pernas pro ar quando Aubrey Fleming (Lohan), uma brilhante e promissora jovem, é raptada e torturada por um sádico serial killer. Ela consegue escapar e, após recobrar a consciência no hospital, insiste que não é Aubrey, mas sim Dakota, uma stripper sem futuro. 

Depois de tudo: O filme mais grenal que alguém pode ver. Imagino a sala de pré-produção de I Know Who Killed Me: "Assim, elas são duas, tá ligado? Então... tudo que se refere a uma delas é azul, e tudo o que se refere a outra é vermelho, saca?". Provavelmente o produtor deve ter dito algo como "G-E-N-I-A-L!". Agora sério: essa é a idéia mais esdrúxula que alguém poderia ter em relação a linguagem cinematográfica. Uma coisa é utilizar a fotografia e a iluminação com gelatina para criar cenas diferentes, com atmosferas diferentes - e até introduzir um código visual referente a estas cores, como acontece em The Descent - outra é abusar do figurino e das locações propositalmente coloridas. Soa falso. Por exemplo, o carro de Aubrey é azul. O iPod de Aubrey é azul. Aubrey veste roupas azuis. O quarto de Aubrey é azul. O namorado de Aubrey tem olhos azuis, usa luvas azuis e jaqueta azul. Aubrey ganha do namorado uma rosa azul. O time de futebol do colégio de Aubrey é azul. O notebook de Aubrey é azul, assim como seu caderno e sua lapisera. Também é azul a cor da lâmina das facas do bandidão. Já as roupas de Dakota são vermelhas. O esmalte das unhas de Dakota é vermelho. A casa de Dakota é vermelha. As roupas de cama de Dakota são vermelhas. O bar onde Dakota dança tem iluminação - advinhe! - vermelha. Entenderam? Chato, não é mesmo?

Para além da overdose cromática, o filme até é legalzinho: a história é previsível, mas torna-se interessante pelos fatos (verídicos!) nos quais foi baseada. A história sobre os irmãos gêmeos estigmatizados (que sofrem danos físicos simultaneamente e na mesma região) e a história sobre a previsão na ficção de um mistério que depois torna-se real (como aconteceu com o Titanic, previsto 14 anos antes pelo romancista inglês Morgan Robertson em seu conto Futility) já faz parte da coleção moderna de mitos "inexplicáveis". E, ceticismo de lado, todo o mito é um inesgotável repositório de idéias para autores antenados. Poderia dizer que o roteiro - mesmo bobinho - é o que salva I know who killed me, mas estaria sendo injusto com Lindsay Lohan que - além de linda - tem se mostrado uma habilidosa atriz. 

Roteiro: 6 Atuação: 7 Direção: 6 Fotografia: 3 
Total: 55% 

Lendo hoje, acho esta a pior das resenhas desse blog. Bem banal. Nos dois anos que estive longe do blog - mas continuei fichando os filmes - comecei a achar idiota esse lance de dar nota. É algo meio sem parâmetros. Até por que se acho um filme 90% hoje, amanhã posso achá-lo 60%. Portanto, não esperem por mais notas da minha parte.

14 outubro, 2007

FEAST, 300, THE LAST KING OF SCOTLAND

FEAST

Gênero: Terror 

Com: Balthazer Getty, Henry Rollins, Navi Rawat, Krista Allen, Judah Friedlander, Josh Zuckerman, Jason Mewes 

Direção: John Gulager 

Argumento: Um bando preso dentro de um bar é forçado a lutar contra monstros. 

Depois de tudo: Apesar da idéia simples, o conjunto de personagens de Feast torna tudo mais interessante. Henry Rollins como o incentivador profissional está ótimo - ainda mais quando morre vestindo calças cor-de-rosa. Outra BOA surpresa é Krista Allen, como uma mãe que perde seu filho e luta contra as criaturas com grande determinação. O personagem principal, Bonzo, parece um mala: mas é pra lá de simpático. Decisão interessante da direção é a forma como os personagens são apresentados: com uma tela congelada, uma música característica, e inúmeras descrições, tais como nome, ocupação, fato interessante e expectativa de vida - nem sempre verdadeira. O filme brinca com todos os clichês do gênero "Dusk 'till Dawn" sem ser maçante. Assim como o Drink no Inferno, não há explicação alguma sobre o que e quem são as criaturas, como elas chegaram lá, o que elas querem, etc. Estão lá apenas como desculpa para uma hora e meia de bom divertimento. Recomendado! 

Idéia: 6 Atuação: 7 Roteiro: 7 Direção: 8 
Total: 70%


THE LAST KING OF SCOTLAND

Gênero: Drama 

Ano: 2006 

Com: James McAvoy, Forest Whitaker, Kerry Washington, David Oyelowo, Simon McBurney, Gillian Anderson 

Direção: Kevin MacDonald 

Argumento: Médico escocês parte para Uganda a fim de prestar assistência humanitária e é nomeado médico particular de Idi Amin, presidente daquele país.

Depois de tudo: Baseado na história do brutal governante ugandense Idi Amin, o longa de MacDonald é sustentado pela desenvoltura com que Forest Whitaker desenvolve seu trabalho. Sujeito afeito a papéis contidos e delicados (como o de Traídos pelo Desejo), Whitaker floresce como o violento Amin, com sua personalidade autoritária e paranóica. Contrapõem-se ao humanitário, jovem e inconsequente Nicholas (McAvoy), que torna-se médico particular do presidente de Uganda. A história é aquela de (quase) sempre quando a África visita Hollywood: o olhar branco sobre os nativos pretos. Infelizmente, não foge disso. Quando Nicholas - que vivia o conto de fadas branco na África, rico e mimado - depara-se com as atrocidades cometidas por seu chefe, entra em crise de consciência e decide partir do país. É então confrontado pelos homens fiéis de Amin, que "insistem" na sua permanência. É nessa história que o longa derrapa: a necessidade de urgência da partida e a gravidade dos fatos que Nicholas "descobre" não se fazem sentir - parece apenas que Nicholas entrou em conflito pessoal e decide largar o barco, mas sabemos que é bem mais do que isso. Outra coisa complicada: o filme não consegue situar-se no tempo. Do jovem Nicholas chegando em Uganda, aos mimos ganhos, à decadência moral e à fuga dá-se a impressão que passaram-se semanas. Não se engane: os fatos descritos no filme se passaram durante cinco anos. Podia ser melhor: serviu para Hollywood corrigir uma injustiça e premiar Whitaker pelo belo conjunto de sua obra.

Roteiro: 7 Atuação: 9 Direção: 6 Fotografia: 7 
Total: 72%

04 outubro, 2007

THE DESCENT

Gênero: Terror 
Ano: 2006 
Com: Shauna Macdonald, Natalie Jackson Mendoza, Alex Reid, Saskia Mulder, MyAnna Buring, Nora-Jane Noone 
Direção: Neil Marshall 

Argumento: Um ano após um acidente que matou seu marido e sua filha, Sarah encontra-se com cinco amigas para explorar uma caverna. A aventura começa a dar errado quando um caminho desmorona, deixando-as presas embaixo da terra. Em busca de uma saída, elas deparam-se com criaturas sedentas por sangue. Enquanto sua amizade se deteriora, elas encontram-se numa luta desesperada pela sobrevivência. 

Atuação: Todas as garotas vão muito bem - e são extremamente bonitas. São mulheres modernas: independentes, com controle de sua vida pessoal e profissional, emocionalmente estáveis (apesar do trauma por qual Sarah passou) e fortes, mesmo quando colocadas em situações extremas. O acidente de Sarah (Shauna Macdonald) é o elo que liga todas, e principalmente Juno (Natalie Mendoza), a viciada em adrenalina que lidera o grupo. O acidente, aliás, é usado como desculpa pela "perda de controle" existente no final - o que torna tudo muito plausível, afinal. 

Roteiro: Neil Marshall não se entrega ao terror logo de cara. Ele constrói um trauma - a perda da família -, reune as amigas novamente, gasta um pouco de tempo falando em suas ambições, namorados, expectativas de vida, etc, até atirá-las dentro da caverna. Dentro do pesadelo. Mesmo lá dentro, a coisa acontece aos poucos. Chegamos a pensar que não é necessário de monstros para tornar a aventura angustiante e perigosa. Mas quando eles aparecem, ficamos ainda mais satisfeitos. O final - apesar de muitos não aprovarem - é simplesmente fantástico. Confesso que fiquei com vontade de ver um final mais "hollywood", mas realmente está bom como está. 

Direção: Neil Marshall (do descontraído Dog Soldiers) tem um desempenho soberbo. O filme vai construíndo um clima desesperador com eficiência. A fotografia é outro grandes destaque: belíssimas locações e belíssimas cenas, Há uso inteligentíssimo da luz: do começo "frio" e azulado acima da superfície; à descida amarelada e cada vez mais sombria; ao aparecimento das criaturas, numa sucessão de cenas quentes (vermelhas), mornas (verdes) e frias (azul, novamente). A sacada da câmera de mão - o verde mais "frio" do filme - é muito bacana. Marshal cria um "código" de identificação com as cores para você saber qual dos grupos está acompanhado no momento. As lutas entre elas e as criaturas - frágeis, mas nem por isso menos ferozes - são bem desempenhadas e assustadoras: imploramos para que elas dêem um tempo. Há um paralelo entre a descida pela caverna e o "subida" da velocidade dos acontecimentos: quanto mais elas descem, mais rápido suas vidas são postas em jogo. Soberbo. 

Depois de tudo: Neil Marshall conseguiu um feito extraordinário: juntar uma premissa que parece simples (um grupo de amigas reúnem-se para explorar uma caverna) e transformá-lo num filme apavorante. Tudo funciona bem em The Descent: roteiro, atuações, roteiro, fotografia. Mas funciona principalmente por que conseguimos criar empatia pelas personagens - elas são excepcionalmente bem trabalhadas.

Fiquei tentado em comentar o cartaz do filme: 

"Do mesmo estúdio que trouxe SAW e HOSTEL" - eles deveriam se envergonhar disso, e não o contrário! 

"O melhor thriller de horror desde Alien" - provavelmente! 

"O mais assustador filme de terror em anos" - com certeza: se não é isso, fica perto.


Numa palavra: FANTÁSTICO! 

Personagem favorita: Sarah, sem dúvida!





THE REAPING


Gênero: Terror da Dark Castle

Ano:
2007

Com:
Hilary Swank, David Morrissey, Idris Elba, Annasophia Robb, Stephen Rea.

Direção:
Scott Glosserman 

Argumento: Katherine Winter (Swank) é uma ex-missionária católica que perdeu sua fé em Deus após a morte de seu marido e sua filha no Sudão. Cientista renomada, com a ajuda de seu assistente Ben (Elba), ela investiga fenômenos religiosos com o intuito de desmacará-los. Certo dia, ela é convidada a ir a cidadezinha de Haven, em Louisiana, onde a água do rio virou sangue após a morte misteriosa de um garoto. Após sua chegada, cada uma das pragas bíblicas toma conta da cidade, opondo-se à fé de Katherine. O elo de todo o fenômeno parece ser a misteriosa Loren (Robb), irmã do garoto morto. 

Sinopse: A idéia das dez pragas bíblicas é muito bacana. Obviamente, precisa de uma boa dose de dinheiro para se produzir tanto efeito especial - exclusivamente por isso, acredito, não foi mais explorado pelo cinema de terror. The Reaping explora bem a idéia. A virada do final transforma a coisa toda num pastiche de Cidade dos Amaldiçoados com Constantine - mas, nem por isso, não deixa de ser interessante.
Nota: 8 

Atuação: Hilary Swank é ganhadora de dois Oscars, e filmes de terror não "oscariza" ninguém. O que ela está fazendo aqui, então? Com certeza, carregando The Reaping nas costas. Ela é de longe a melhor atuação da fita. Idris Elba, como Ben, é carismático, tem personagem bem construído, e até chegamos a torcer por ele no final. Coisa rara em filme de terror: o personagem negro sempre é um dos primeiros a morrer. Stephen Rea faz uma ponta como um padre missionário da antiga legião de Katherine. É um ótimo ator, sempre magnífico em cena, mas aqui parece meio afetado. Na verdade, entra no clima da produção: todo mundo é meio exagerado. Mas ninguém é mais exagerado do que David Morrissey: o cara tem voz de radialista a fita inteira; não parece que ele está conversando com Katherine, mas sim proclamando o Repórter Esso.
Nota: 7 

Direção: Stephen Hopkins é um premiado diretor de TV, premiado com um Emmy por The Life and Death of Peter Sellers e um dos criadores da ótima Californication, com David Duchovny. Mas seu maior mérito é na ação televisiva: é o homem por trás de 24 Horas. No gênero, dirigiu Predador 2 e Nightmare on Elm Street 5. Hopkins tende a se focar no confronto entre Katherine, atéia, e Ben, católico praticante, quase pendendo para o dramalhão. Os flashbacks da família de Katherine no Sudão, muito freqüentes no meio do filme, acabam destruindo o clima do filme, e não acrescentam nada de novo para a história. Até a quarta praga - o gado morrendo - o filme vai num crescendo adequado e criando uma ótima ansiedade, mas daí vem os flashbacks e a conversa sobre religião, e tudo vai por água abaixo. Mas Hopkins tem seu mérito: o passeio de câmera pela a cena é muito bem usado. Seria interessante de ver tal recurso em mais filmes de terror, que tendem à estaticidade.
Nota: 7 

Desenvolvimento: O filme tem várias camadas, tende à complexidade e é bastante confuso a maior parte do tempo. Principalmente porque foi editado depois de pronto: repare na cena do ataque do touro, na destruição da caminhonete e de como ela está inteira na cena seguinte. A edição entrecortada se torna um verdadeiro quebra-cabeças, e dá a impressão de que o filme avança até certo ponto apenas para retornar à estaca zero. A metade do filme - a parte dos flashbacks e da procura de Loren - chega a ser entediante. The Reaping sofreu vários adiamentos para ser lançado, e mesmo assim faltou tempo para finalizar os efeitos especiais de algumas cenas, principalmente a última, que destoa de toda a produção. A cena do rio cheio de sangue é fantástica e chocante. A diferença para outros filmes de terror hollywoodianos, é que agora existem dois segredos no final: um deles é evidente para os mais "experientes"; no outro Hopkins consegue enganar ao público e a Katherine. Aí merece palmas. Outra ousadia - para os padrões hollywoodianos - é a violência contra as crianças.
Nota: 6 

Total: 70% 

Depois de tudo: Filmes com o selo Dark Castle tem a garantia de um punhado de efeitos especiais e um ritmo bem morno. Com uma identidade visual muito semelhante entre eles, carregada de objetos coloridos e fotografia "azulada" na hora dos sustos (vide principalmente Ghost Ship, Gothika e House of Wax), os filmes da produtora de Joel Silver e Robert Zemeckis peca ainda no principal de um filme de horror: o clima. O filme é bonito de se ver, bem atuado e bem conduzido, tem uma história interessante, etc, mas não consegue criar um clima propício para assustar. A primeira aparição de Loren é a cena mais assustadora do filme; o resto é uma história fantástica/bíblica de aventura. Mesmo assim, é um bom passatempo: se tivesse sido dirigo por um diretor asiático, a história seria bem mais "chocante": todos os elementos para tanto estão lá. Mas, da bomba House on the Haunted Hill à The Reaping, a Dark Castle tem evoluido. Será que a adaptação de Whiteout vai redimir os pecados anteriores da produtora? Tem tudo pra que seja assim. 

Makeup favorito: O irmão de Loren e o seu aspecto cadavérico hehe : )

03 outubro, 2007

BEHIND THE MASK: THE RISE OF LESLIE VERNON


Gênero: Mockumentary de Terror

Ano:
2006

Com:
Nathan Baesel, Angela Goethals, Robert Englund, Scot Wilson, Zelda Rubinstein

Direção:
Scott Glosserman

Argumento:
O próximo grande slasher psicopata deu a uma equipe de documentários acesso exclusivo a sua vida enquanto planeja seu reino de terror na pequena Glen Echo. Em entrevista exclusiva, ele descontrói as convenções e arquétipos de um gênero de horror que já deu ao mundo Jason, Myers e Freddy.


A virginal Kelly usa uma arma fálica para enfrentar seu algoz 

Sinopse: Estrelado por um grupo de célebres desconhecidos misturados a figurinhinhas carimbadas dos fãs de horror, Behind the Mask… eleva a nerdice ao cubo ao imaginar como seria um filme concebido, estrelado e realizado por Randy Meeks, se este infeliz não tivesse morrido lá pela metade de Pânico. No filme de Glosserman, quem dá as dicas é o próprio assassino, Leslie Vernon (Nathan Baesel em seu primeiro papel digno de nota), que na infância foi linchado pela população local após ter matado seus pais. Trinta anos depois, Vernon, que andou treinando duro, muito duro, volta para se vingar contra a população local, escolhendo os jovens como suas vítimas em potencial.
Nota: 8 

Roteiro: Durante a primeira hora de filme, Leslie cuidadosamente disseca cada um dos clichês do gênero, preparando o campo para a carnificina que vem em seguida. Somos apresentados, em primeira-mão, a todos os processos necessários para se estripar, torturar, e detonar um bando incompetente e bastante burro de adolescentes. Leslie concentra-se, também, em criar uma conexão com sua garota Sobrevivente: a virginal que, no fim da carnificina, enfrentará-lo de igual para igual. Se não existir esta conexão, os assassinatos não terão cumprido o seu objetivo. No caso de Vernon, esta jovem é garçonete loira Kelly.

Conduzindo o documentário está a jornalista Taylor Gentry (Angela Goethals fazendo a transição de estrela infantil para a maioridade) e os cinegrafistas Doug e Todd. À medida que o filme vai evoluindo, vamos reparando mais nos trejeitos de Taylor: sua constante curiosidade, seu faro investigativo (é uma jornalista, afinal), sua ingenuidade, seu sorriso cativante… Quando a barra começa a pesar, Taylor entra num dilema profissional: deve ela tentar impedir toda aquela carnifica ou apenas continuar filmando?


Ele pode não ter um grande personagem, mas ainda sabe o que faz 

Não obstante, ficamos chocados com a idéia de que um sujeito tão agradável e boa pinta como Leslie Vernon seja capaz de fazer mal a uma mosca. Que dirá a um bando de jovens. Mas é aí que se encontra a perfídia e a genialidade de Vernon. E, neste detalhe que é bom demais para ser contado sem estragar a virada do filme, é que se encontra a motivação de um assassino em declarar seus próximos assassinatos.

Como carta fora do baralho existe o personagem do célebre Robert Englund (o Freddy em pessoa). Ele faz o papel do Dr. Halloran, o Abnegado, aquele sujeito que sintetiza em si todas as qualidades do Bem e do que é Justo, em oposição ao Mal. Porém, sua primeira aparição deixa uma dúvida quanto a um (im)provável furo de roteiro.
Nota: 8


Leslie Vernon é o próximo Jason! 

Atuação: A personagem de Angela Goethals (Taylor) é, desde o início, inocentemente manipulada por Leslie, que mostra-se amigável e despreocupado. A interpretação de Nathan para Leslie lembra muito - física e psicologicamente - a Jim Carrey e, claro, não poderíamos simpatizar mais com ele do que de outra maneira. Rober Englund, apesar de não ter um personagem bem desenvolvido, ainda é o velho Freddy: os mesmos olhos frios e ao mesmo tempo muito expressivos. Scott Wilson, como o psicopata aposentado Eugene e Bridgett Newton como a esposa Jamie estão maravilhosos! Os personagens são ótimos: Jamie é a garota Sobrevivente de uma das noites de assassínio de Eugene - e a provável razão de sua aposentadoria - que apaixonou-se por seu algoz. Eugene figura entre um dos melhores do seu tempo (os anos 1960 e 1970) e o mentor entusiasmado de Leslie Vernon.Note a data de atuação de Eugene: antes dos “garotos” Jason Voorhes, Freddy Krueger e Mike Myers revolucionarem o gênero. Os três são citados como grandes exemplos a serem seguidos pois, como comenta Eugene, transformaram-se em verdadeiras maldições, abrindo mão de suas mortalidades para adentrarem um mundo completamente novo e muito mais nocivo: o das idéias.
Nota: 7 

Direção: O filme é dirigido pelo estreante Scott Glosserman - que produziu um curta alegremente entitulado No Escape: Prison Rape -, que segura muito bem a onda. Na primeira metade do filme, estilo documentário, o diretor não abusa muito; aproveita a linguagem televisiva para contar sua história. Os momentos de "bastidores" da produção - onde a linguagem de reportagem é deixada de lado - tem uma criatividade maior de Glosserman. Seu mérito, porém, é filmar a mesma ação duas vezes, em situações diferentes, e não ficar chato.
Nota: 8 

Total: 87% 

Depois de tudo: Black Mask: the Rise of Leslie Vernon é um ótimo presente para todos os fãs de terror, principalmente aqueles que – como eu – tiveram seu primeiro contato com o gênero nas sessões da tarde do final da década de 1980, quando pérolas como Sexta-Feira 13, A Hora do Pesadelo, Primeiro de Abril dos Mortos e outros faziam a nossa alegria. É um filme de fã para fã. Ainda, é um filme para aqueles que odeiam os slashers, por todas as críticas indubitáveis deles, como falta de profundidade dos personagens, clichês, alegorias do Bem e do Mal, etc. E Behind the Mask… se torna uma raridade por isso: é muito difícil encontrar um filme que agrade tanto aos fãs quanto aos detratores de um gênero. E Scott Glosserman conseguiu esta façanha. Recomendadíssimo. 

* Esta resenha foi originalmente escrita para meu blog anterior, Lugares Escuros.

21 setembro, 2007

FREAKS

Gênero: Terror Clássico da Universal 

Ano: 1932 

Com: Olga Baclanova, Harry Earles, Daisy Earles, Leila Hyams, Wallace Ford 

Direção: Tod Browning 

Argumento: Pode uma mulher normal amar um anão?


A turma reunida com Browning entre eles. 

Sinopse: A bela e maquiavélica trapezista Cleopatra é admirada pelo colega de Circo e anão Hans. Frieda, noiva de Hans (também uma anã), avisa-o que Cleopatra está apenas interessada em sua herança bilionária, pois esta já possui um envoviomento com Hércules, o homem-forte do Circo. Hans não lhe dá ouvidos e deixa-se envolver no plano arquitetado por Cleopatra e Hércules, que resulta no casamento do anão com a trapezista. Durante a festa de casamento, Cleopatra, bêbada, atira-se nos braços de Hércules, levando Hans à humilhação. Apesar disto, ela é aceita pelas outras aberrações, o que a leva à loucura quando é comparada a eles. As berrações desmascaram o plano de Cleopatras e partem para a revanche, dispensando Hércules do Circo e arranjando uma nova carreira para Cleopatra, como a Mulher-Galinha.
Nota: 10


Wallace Ford é o palhaço Phroso 

Atuação: O casal de anões, Hans e Frieda, possuem as melhores atuações da fita. Talvez, também por serem os dois personagens mais desenvolvidos - Frieda no vácuo de Hans. Os dois eram um casal também na vida real, Harry e Daisy Earles e, enquanto Harry era um ator conhecido (atuou em mais de uma dúzia de produções entre as décadas de 20 e 30), sua esposa participou apenas de Freak e O Mágico de Oz, de Fleming, ao lado do marido. Palmas também para os ótimos atores Wallace Ford (Phroso) e Leila Hyams (Venus), também possuidores de carreiras exitosas. Apesar de as aberrações serem atores de primeira e única viagem, não deixam de ser artistas talentosos, principalmente as irmãs siamesas Daisy e Violet. Única ressalva para Olga Baclanova, carregada no sotaque russo e nas expressões exageradas.
Nota: 9


As gêmeas siamesas Daisy e Violet curtindo um momento de descontração após a fama. 

Roteiro: Todd Browning soube aproveitar bem o plantel de "aberrações" que tinha à mão. As sub-histórias de relacionamento entre eles são bem interessantes. Além do fio condutor principal, bem desenvolvido, entre Hans e Cleopatra, ainda existe o romance entre o palhaço Phroso e a bela Venus; o nascimento do filho da Mulher-barbada e, principalmente, a dificuldade de se manter relações com gêmeas siamesas. Essa subhistória é a mais deliciosa: Daisy é casada com um irascível e ciumento palhaço, enquanto sua irmã, a tempestuosa Violeta, enamora-se de um "normal" muito bem apessoado. A cena em que os dois pretendentes das irmãs conhecem-se, e convidam-se para "visitá-lo e à sua esposa" é divertidíssima. Ponto também para o hermafrodita Joseph-Josephine e a ótima piada a respeito dele/dela: "acho que ela gosta de você, mas ele não".
Nota: 9


As aberrações: "She's one of us! One of us!" 

Linguagem: Ah, o cinema clássico de horror da Universal, com seus planos americanos, cortes rápidos, cenários trabalhados e lento desenvolvimento dos personagens... Está tudo lá. Tod Browning possui um estilo bastante apurado para época, com um senso incrível de onde colocar a câmera. Devido aos cortes impostos pelo estúdio, a edição ficou um pouco confusa. Existe até duas caras tomadas fora de estúdio, uma com uma dolly ao luz do dia, outra à noite, no meio de uma tempestade (a qualidade visual da fita neste ponto decai enormemente, por razões óbvias). Em alguns diálogos, para efeito dramático, a câmara move-se (ao que parece, no ombro do operador, mas seria isso possível em 1932?). Num costume posteriormente incorporado por gente como Hitchcock, a primeira cena, através de um panorâmica, ambienta o filme, enquanto um personagem-narrador explica, na forma de diálogo, tudo o que vai acontecer sem, ao mesmo tempo, nunca contar nada.
Nota: 8


Hans, manipulado por Hércules e a vil Cleopatra 

Desenvolvimento: O filme é segmentado em duas partes, com apenas um ponto de virada, o que provavelmente atrapalha à nós acostumados com a estrutura "sydfieldiana". Na primeira metade (a primeira meia-hora da fita), somos apresentados a todos os personagens e todas as relações existentes entre eles. Ao lado da história principal (o "quadrado" amoroso entre Hans, Frieda, Hércules e Cleopatra), desenvolve-se outros núcleos de personagem, como Venus e Phroso e as irmãs siamesas. Na segunda metade, com virada na cena do casamento, há o desmascaramento do plano de Cleopatra, a orquestração da vingança das aberrações e a execução da mesma. Como o filme tem apenas 64 minutos e, sabendo da história complicada por qual ele passou, tem-se sempre a clara impressão de que várias cenas ficaram de fora da edição final. Algumas cenas carecem de explicação (como o porque de Venus ter deixado seu antigo amante), assim como muitos personagens carecem de desenvolvimento - praticamente, todas aquelas que não tem aparência "normal" ficam de fora, como as trigêmeas retardadas, a mulher-barbada (que nunca aparece em close), o homem-saco, a garota-sem-braços, etc. Apesar disso, o núcleo central da história é bem construído e desenvolvido.
Nota: 7 

Total: 86% 

Proibidão: Freaks é um filme mais comentado do que propriamente assistido. A idéia de que não existe maquiagem nem próteses nos atores, que tudo aquilo ali é real é chocante até hoje. Como bom apreciador do Gordon Lewis que sou, sempre gostei dos meus filmes com pitadas generosas de gore mas sempre corri quando coisas mórbidas como fotos de acidentes, operações, mutilações, ou Faces da Morte caiam em minhas mãos. Há uma linha bem definida entre a ficção e a realidade que nunca deveria ser transposta. O ar de "filmão proibido" para Freaks é, porém, do mais benéfico. Todd Browning quase jogou sua carreira fora depois desta insanidade. Afinal, não seria um insano quem fizesse um filme sobre aberrações COM aberrações em plena década de 1930, quando não existia a mínima informação sobre estes indivíduos? Só mesmo um visionário como Browning. A simples idéia de executar um filme destes, com estas circunstâncias, ainda hoje causa repulsa. 

Depois de tudo: Clap! Clap! Clap! Maravilhosamente orquestrado e executado, o filme me prendeu do começo ao fim. Pena que algumas aberrações não foram muito exploradas, devido à censura da época. Nada que afete a qualidade do produto final, que certamente deve figurar entre os clássicos da Universal. Palmas para Browning pela ousadia e para as aberrações pela coragem. Um clássico do cinema do terror. 

Cena favorita: Quando as aberrações, durante uma tempestade, engatinham armados na lama para vingar-se de Hércules. Uma das cenas clássicas do cinema.